O Superlativo de Ciência

Em três primatas, a rede cerebral ligada ao processamento de si muda nas conexões

Imagens de humanos, chimpanzés e macacos mostram traços locais conservados e circuitos de longa distância reorganizados; o estudo não mediu consciência.

Esquema ilustrativo de feixes de substância branca em um cérebro humano, coloridos por trajeto; não mostra os três primatas do estudo.
Imagem: Simon R. Cox e colaboradores/Nature Communications (2016), esquema ilustrativo de outro estudo; CC BY 4.0, sem adaptação.

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Análise editorial SUPER SCI-Z

O cérebro humano não inventou do zero todas as estruturas associadas ao processamento de informações sobre o próprio corpo e a própria pessoa. Uma comparação de imagens cerebrais de humanos, chimpanzés e macacos-rhesus encontrou características locais semelhantes entre espécies, mas diferenças na forma como regiões distantes se conectam. Publicada no Journal of Neuroscience, a análise descreve a arquitetura de uma rede proposta para esse processamento; não mede a experiência subjetiva nem demonstra que uma espécie tenha mais consciência que outra.

A equipe liderada por Ning Liu, do Instituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências, reuniu exames de 46 humanos, 46 chimpanzés e 43 macacos. Partiu de um conjunto de regiões humanas associado em estudos anteriores à percepção de sinais internos, estímulos externos relacionados ao próprio indivíduo e reflexão sobre si. Para localizar regiões comparáveis nos outros cérebros, usou o padrão de conexão com 42 feixes principais de substância branca, as fibras que ligam partes do cérebro, presentes nas três espécies.

Na escala local, um sinal de ressonância sensível à mielina — revestimento das fibras nervosas — apresentou distribuição espacial muito semelhante nos mapas de humanos e macacos; padrões de expressão gênica comparáveis também mostraram conservação parcial. Essas medidas descrevem propriedades do tecido e não são testes de comportamento. Na escala das conexões entre regiões, porém, a organização variou mais entre espécies, com o chimpanzé em posição intermediária no padrão geral analisado.

A diferença não foi uniforme. Nos subconjuntos da rede definidos a partir de pesquisas humanas, os mapas de processamento de sinais do interior do corpo foram mais parecidos entre macacos e chimpanzés; para informações externas ligadas ao próprio indivíduo, chimpanzés e humanos foram mais próximos. O subconjunto associado à reflexão mental sobre si mostrou separação maior. Também mudou a posição dos pontos muito conectados da rede: da ínsula nos macacos em direção ao córtex cingulado nos humanos, com ambos presentes entre os chimpanzés.

A conclusão mais restrita é que a semelhança de alguns traços locais não obriga a mesma organização das ligações em grande escala. O mapa oferece hipóteses testáveis sobre a evolução de circuitos, mas classificar uma região pelo mapa humano não prova que ela desempenhe a mesma função em todos os primatas. Relacionar essas diferenças anatômicas a tarefas e comportamentos medidos será o passo necessário para avaliar como acompanham diferenças cognitivas observáveis.

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Pontos essenciais

  • Foram comparados exames de 46 humanos, 46 chimpanzés e 43 macacos por meio de 42 feixes de conexão compartilhados.
  • Traços locais pareceram parcialmente conservados, enquanto as conexões distantes e os pontos centrais da rede variaram entre espécies.
  • Mapas anatômicos não medem consciência ou comportamento; testes funcionais são necessários para ligar estrutura e cognição.
Fonte principalInstituto de Biofísica da Academia Chinesa de Ciências

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