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Sorte ou desempenho? Origem da renda muda aceitação da desigualdade

Estudo com mais de 65 mil pessoas em 60 países comparou decisões sobre pagamentos reais. A origem da diferença de renda pesou mais que o custo de redistribuir.

Cinco pilhas de moedas de alturas crescentes, da esquerda para a direita, sobre fundo claro; fotografia ilustrativa.
Imagem: Kevin Schneider — Stacks of Coins (2014), via Wikimedia Commons. CC0 1.0. Fotografia ilustrativa; não representa dados do estudo.

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Análise editorial SUPER SCI-Z

Uma diferença de renda parece igualmente justa quando nasce de um sorteio e quando recompensa melhor desempenho? Para separar essas duas situações, uma equipe liderada por Ingvild Almås estudou decisões de mais de 65 mil pessoas em 60 países. O artigo Fairness Across the World, publicado em 7 de setembro no Quarterly Journal of Economics como manuscrito aceito após revisão por pares, analisa como a origem da desigualdade e o custo de reduzi-la influenciam escolhas de redistribuição.

No experimento, os participantes decidiam sobre o pagamento adicional de dois trabalhadores que haviam realizado uma tarefa. Um recebia o valor extra; o outro, não. A pessoa responsável pela decisão podia manter essa diferença, reduzi-la ou igualar os pagamentos. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre condições: em uma, a vantagem inicial decorria de sorte; em outra, do melhor desempenho na tarefa. Uma terceira mantinha a origem aleatória, mas introduzia uma perda de recursos ao transferir dinheiro. As escolhas tinham consequências monetárias reais para os trabalhadores.

A comparação global mostrou que as pessoas deixaram mais desigualdade quando a vantagem tinha origem no desempenho. No resumo da versão publicada, a medida de desigualdade resultante dessas decisões foi 85% maior na condição de mérito do que na condição de sorte. Ao acrescentar um custo de redistribuição de 50% — metade do montante retirado para transferência se perdia no caminho —, o aumento da desigualdade resultante foi de 14% em relação à condição de sorte sem custo. Esses percentuais comparam a desigualdade que as escolhas produziram; não são proporções de entrevistados nem aumentos da desigualdade dos países.

Os resultados também variaram entre sociedades. A aceitação de diferenças associadas ao desempenho foi especialmente marcada em países ocidentais mais ricos, enquanto outras visões de justiça tiveram maior presença em outras regiões. A comparação ajuda a distinguir duas perguntas que podem parecer iguais: quanto uma pessoa aceita de desigualdade e quais razões tornam essa desigualdade aceitável. Pessoas que toleram uma diferença por produtividade podem querer eliminá-la quando a única justificativa é um sorteio.

Em outra etapa da mesma pesquisa, os participantes responderam sobre as causas da desigualdade em seu país e suas atitudes diante da redistribuição. As preferências e crenças se associaram tanto às atitudes declaradas quanto às diferenças entre países na redistribuição por impostos e transferências. Essa parte identifica relações estatísticas, sem demonstrar que uma crença individual produza determinada política nacional. O conjunto indica por que debates sobre distribuição de renda precisam considerar as justificativas de justiça, além dos custos econômicos: na tarefa estudada, mudar a origem da vantagem alterou as decisões mais que introduzir uma perda na transferência.

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Pontos essenciais

  • As decisões tinham efeitos reais sobre o pagamento adicional de dois trabalhadores.
  • A origem da desigualdade pesou mais nas escolhas que o custo de transferir dinheiro.
  • As associações com políticas nacionais não demonstram uma relação causal.
Fonte principalThe Quarterly Journal of Economics

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